QUESTÕES RESOLVIDAS DE HISTÓRIA PARA O ENEM E VESTIBULARES – III

HISTÓRIA PARA O ENEM E VESTIBULARES – III

Questão 1

O garfo muito grande, com dois dentes, que era usado para servir as carnes aos convidados, é antigo, mas não o garfo individual. Este data mais ou menos do século XVI e difundiu-se a partir de Veneza e da Itália em geral, mas com lentidão. O uso só se generalizaria por volta de 1750.

(BRAUDEL, F. Civilização material, economia e capitalismo: séculos XV-XVIII; as estruturas do cotidiano. São Paulo: Martins Fontes, 1977 – adaptado)

No processo de transição para a modernidade, o uso do objeto descrito relaciona-se à:

A) construção de hábitos sociais.

B) introdução de medidas sanitárias.

C) ampliação das refeições familiares.

D) valorização da cultura renascentista.

E) incorporação do comportamento laico.

Questão 2

A tecelagem é numa sala com quatro janelas e 150 operários. O salário é por obra. No começo da fábrica, os tecelões ganhavam em média 170$000 réis mensais. Mais tarde não conseguiam ganhar mais do que 90$000; e pelo último rebaixamento, a média era de 75$000! E se a vida fosse barata! Mas as casas que a fábrica aluga, com dois quartos e cozinha, são a 20$000 réis por mês; as outras são de 25$ a 30$000 réis. Quanto aos gêneros de primeira necessidade, em regra custam mais do que em São Paulo.

(CARONE, E. Movimento operário no Brasil. São Paulo: Difel, 1979)

Essas condições de trabalho, próprias de uma sociedade em processo de industrialização como a brasileira do início do século XX, indicam a:

A) exploração burguesa.

B) organização dos sindicatos.

C) ausência de especialização.

D) industrialização acelerada.

E) alta de preços.

Questão 3

Em 1914, o preço da borracha despencou no mercado internacional; dois anos depois, 200 firmas foram à falência em Manaus. E assim acabou o sonho de quem acendia charutos com notas de 1 000 réis. A cidade entrou em colapso.

(National Geographic, n. 143, fev. 2012 – adaptado)

O súbito declínio da atividade econômica mencionada foi provocado pelo(a):

A) carência de meios de transporte que permitissem uma rápida integração entre as áreas produtoras e consumidoras.

B) produção nas plantações de seringueiras dosudeste asiático, que ocasionou um excesso da produção mundial.

C) chamado encilhamento, que resultou na desvalorização da moeda brasileira após forte especulação na Bolsa de Valores.

D) fim da migração de nordestinos para a Amazônia, que gerou uma enorme carência de mão de obra na região.

E) início da Primeira Guerra Mundial, que paralisou o comércio internacional e provocou o declínio da economia brasileira.

Questão 4

O dicionário da Real Academia Espanhola não usa a terminologia de Estado, nação e língua no sentido moderno. Antes de sua edição de 1884, a palavra nación significa simplesmente “o agregado de habitantes de uma província, de um país ou de um reino” e também “um estrangeiro”. Mas agora era dada como “um Estado ou corpo político que reconhece um centro supremo de governo comum”.

(HOBSBAWM, E. J. Nações e nacionalismo (desde 1870). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990 – adaptado)

A ideia de nação como lugar de pertencimento, ao qual os indivíduos têm ligação por nascimento, constitui-se na Europa do final do século XIX.

Sua difusão resultou:

A) na rápida ascensão de governos com maior participação popular, dado que a unidade nacional anulava as diferenças sociais.

B) na construção de uma cultura que incorporava todas as parcialidades equilibradamente dentro de uma identidade comum.

C) na imposição de uma única língua, cultura e tradição às diferentes comunidades agregadas ao Estado nacional.

D) na anulação pacífica das diferenças étnicas existentes entre as comunidades que passaram a compor a nacionalidade.

E) em um intenso processo cultural marcado pelo protagonismo das populações autóctones

Questão 5

A existência em Jerusalém de um hospital voltado para o alojamento e o cuidado dos peregrinos, assim como daqueles entre eles que estavam cansados ou doentes, fortaleceu o elo entre a obra de assistência e de caridade e a Terra Santa. Ao fazer, em 1113, do Hospital de Jerusalém um estabelecimento central da ordem, Pascoal II estimulava a filiação dos hospitalários do Ocidente a ele, sobretudo daqueles que estavam ligados à peregrinação na Terra Santa ou em outro lugar. A militarização do Hospital de Jerusalém não diminuiu a vocação caritativa primitiva, mas a fortaleceu.

(DEMURGER, A. Os Cavaleiros de Cristo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002 – adaptado)

O acontecimento descrito vincula-se ao fenômeno ocidental do(a);

A) surgimento do monasticismo guerreiro, ocasionado pelas cruzadas.

B) descentralização do poder eclesiástico, produzida pelo feudalismo.

C) alastramento da peste bubônica, provocado pela expansão comercial.

D) afirmação da fraternidade mendicante, estimulada pela reforma espiritual.

E) criação das faculdades de medicina, promovida pelo renascimento urbano.

Questão 6

A tribo não possui um rei, mas um chefe que não é chefe de Estado. O que significa isso?
Simplesmente que o chefe não dispõe de nenhuma autoridade, de nenhum poder de coerção, de nenhum meio de dar uma ordem. O chefe não é um comandante, as pessoas da tribo não têm nenhum dever de obediência. O espaço da chefia não é o lugar do poder. Essencialmente encarregado de eliminar conflito que podem surgir entre indivíduos, famílias e linhagens, o chefe só dispõe, para restabelecer a ordem e a concórdia, do prestígio que lhe reconhece a sociedade. Mas evidentemente prestígio não significa poder, e os meios que o chefe detém para realizar sua tarefa de pacificador limitam-se ao uso exclusivo da palavra.

(CLASTRES, P. A sociedade contra o Estado. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982 – adaptado)

O modelo político das sociedades discutidas no texto contrasta com o do Estado liberal burguês
porque se baseia em:

A) Imposição ideológica e normas hierárquicas.

B) Determinação divina e soberania monárquica.

C) Intervenção consensual e autonomia comunitária.

D) Mediação jurídica e regras contratualistas.

E) Gestão coletiva e obrigações tributárias.

Questão 7

Esse ônibus relaciona-se ao ato praticado, em 1955, por Rosa Parks, apresentada em fotografia ao lado de Martin Luther King. O veículo alcançou o estatuto de obra museológica por
simbolizar o(a):

A) impacto do medo da corrida armamentista.

B) democratização do acesso à escola pública.

C) preconceito de gênero no transporte coletivo.

D) deflagração do movimento por igualdade civil.

E) eclosão da rebeldia no comportamento juvenil.

Questão 8

TEXTO I
E pois que em outra cousa nesta parte me não posso vingar do demônio, admoesto da parte da cruz de Cristo Jesus a todos que este lugar lerem, que deem a esta terra o nome que com tanta solenidade lhe foi posto, sob pena de a mesma cruz que nos há de ser mostrada no dia final, os acusar de mais devotos do pau-brasil que dela.

(BARROS, J. In: SOUZA, L. M. Inferno atlântico: demonologia e colonização: séculos XVI-XVIII. São Paulo: Cia. das Letras, 1993)

TEXTO II
E deste modo se hão os povoadores, os quais, por mais arraigados que na terra estejam e mais ricos que sejam, tudo pretendem levar a Portugal, e, se as fazendas e bens que possuem souberam falar, também lhes houveram de ensinar a dizer como os papagaios, aos quais a primeira coisa que ensinam é: papagaio real
para Portugal, porque tudo querem para lá.

(SALVADOR, F. V. In: SOUZA, L. M. (Org.). História da vida privada no Brasil: cotidiano e vida privada na América portuguesa. São Paulo: Cia. das Letras, 97)

As críticas desses cronistas ao processo de colonização portuguesa na América estavam relacionadas à:

A) utilização do trabalho escravo.

B) implantação de polos urbanos.

C) devastação de áreas naturais.

D) ocupação de terras indígenas.

E) expropriação de riquezas locais.

Questão 9

Os soviéticos tinham chegado a Cuba muito cedo na década de 1960, esgueirando-se pela
fresta aberta pela imediata hostilidade norteamericana em relação ao processo social revolucionário. Durante três décadas os soviéticos mantiveram sua presença em Cuba com bases e ajuda militar, mas, sobretudo, com todo  apoio econômico que, como saberíamos anos mais tarde, mantinha o país à tona, embora nos deixasse em dívida com os irmãos soviéticos – e depois com seus herdeiros russos – por cifras que chegavam a US$ 32 bilhões. Ou seja, o que era oferecido em nome da solidariedade socialista tinha um preço definido.

(PADURA, L. Cuba e os russos. Folha de São Paulo, 19 jul. 2014 – adaptado)

O texto indica que durante a Guerra Fria asrelações internas em um mesmo bloco foram marcadas pelo(a):

A) busca da neutralidade política.

B) estímulo à competição comercial.

C) subordinação à potência hegemônica.

D) elasticidade das fronteiras geográficas.

E) compartilhamento de pesquisas científicas.

Questão 10

A poetisa Emília Freitas subiu a um palanque, nervosa, pedindo desculpas por não possuir títulos nem conhecimentos, mas orgulhosa ofereceu a sua pena que “sem ser hábil, é, em compensação, guiada pelo poder da vontade”. Maria Tomásia pronunciava orações que levantavam os ouvintes.

A escritora Francisca Clotilde arrebatava, declamando seus poemas. Aquelas “angélicas senhoras”, “heroínas da caridade”, levantavam dinheiro para comprar liberdades e usavam de seu entusiasmo a fim de convencer os donos de
escravos a fazerem alforrias gratuitamente.

(MIRANDA, A. Disponível em: www.opovoonline.com.br. Acesso em: 10 jun. 2015)

As práticas culturais narradas remetem, historicamente, ao movimento:

A) feminista.

B) sufragista.

C) socialista.

D) republicano.

E) abolicionista

Questão 11

A democracia que eles pretendem é a democracia dos privilégios, a democracia da intolerância e do ódio. A democracia que eles querem é para liquidar com a Petrobras, é a democracia dos monopólios, nacionais e internacionais, a democracia que pudesse lutar contra o povo. Ainda ontem eu afirmava que a democracia jamais poderia ser ameaçada pelo povo, quando o povo livremente vem para as praças – as praças que são do povo. Para as ruas – que são do povo.

(Disponível em: www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/ discurso-de-joao-goulart-nocomicio-da-central.
Acesso em: 29 out. 2015)

Em um momento de radicalização política, a retórica no discurso do presidente João Goulart, proferido no comício da Central do Brasil, buscava justificar a necessidade de:

A) conter a abertura econômica para conseguir
a adesão das elites.

B) impedir a ingerência externa para garantir a
conservação de direitos.

C) regulamentar os meios de comunicação para
coibir os partidos de oposição.

D) aprovar os projetos reformistas para atender
a mobilização de setores trabalhistas.

E) incrementar o processo de desestatização
para diminuir a pressão da opinião pública.

 

 

GABARITO:

1 – A

2 – A

3 – B

4 – C

5 – A

6 – C

7 – D

8 – E

9 – C

10 – E

11 – D

 

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