QUESTÕES RESOLVIDAS DE HISTÓRIA PARA O ENEM E VESTIBULARES – I

HISTÓRIA PARA O ENEM E VESTIBULARES – I

Questão 01 

As imagens reproduzem quadros de D. João VI e de seu filho D. Pedro I nos respectivos papéis de monarcas. A arte do retrato foi amplamente utilizada pela nobreza ocidental, com objetivos de representação política e de promoção social. No caso dos reis, essa era uma forma de se fazer presente em várias partes do reino e, sobretudo, de se mostrar em majestade.

A comparação das imagens permite concluir que;

A) as obras apresentam substantivas diferenças no que diz respeito à representação do poder.

B) o quadro de D. João VI é mais suntuoso, porque retrata um monarca europeu típico do século XIX.

C) os quadros dos monarcas têm baixo impacto promocional, uma vez que não estão usando a coroa, nem ocupam o trono.

D) a arte dos retratos, no Brasil do século XIX, era monopólio de pintores franceses, como Debret.

E) o fato de pai e filho aparecerem pintados de forma semelhante sublinha o caráter de continuidade dinástica, aspecto político essencial ao exercício do poder régio.

Questão 02 

“Boicote ao militarismo”, propôs o deputado federal Márcio Moreira Alves, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em 2 de setembro de 1968, conclamando o povo a reagir contra a ditadura. O clima vinha tenso desde o ano anterior, com forte repressão ao movimento estudantil e à primeira greve operária do regime militar.  O discurso do deputado foi a ‘gota d’água’. A resposta veio no dia 13 de dezembro com a promulgação do Ato Institucional n° 5 (AI 5). (Ditadura descarada. In: Revista de História de Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, ano 4, n. 39, dez. 2008 – adaptado)

Considerando o contexto histórico e político descrito acima, o AI 5 significou:

A) a restauração da democracia no Brasil na década de 60.

B) o fortalecimento do regime parlamentarista brasileiro durante o ano de 1968.

C) o enfraquecimento do poder central, ao convocar eleições no ano de 1970.

D) o desrespeito à Constituição vigente e aos direitos civis do país a partir de 1968.

E) a responsabilização jurídica dos deputados por seus pronunciamentos a partir de 1968.

Questão 03 

A figura de coronel era muito comum durante os anos iniciais da República, principalmente nas regiões do interior do Brasil. Normalmente, tratava-se de grandes fazendeiros que utilizavam seu poder para formar uma rede de clientes políticos e garantir resultados de eleições. Era usado o voto de cabresto, por meio do qual o coronel obrigava os eleitores de seu “curral eleitoral” a votarem nos candidatos apoiados por ele. Como o voto era aberto, os eleitores eram pressionados e fiscalizados por capangas, para que votassem de acordo com os interesses do coronel. Mas recorria-se também a outras estratégias, como compra de votos, eleitoresfantasma, troca de favores, fraudes na apuração dos escrutínios e violência.

(Disponível em: http://www.historiadobrasil.net. Acesso em: 12 dez. 2008 – adaptado)

Com relação ao processo democrático do período registrado no texto, é possível afirmar que:

A) o coronel se servia de todo tipo de recursos para atingir seus objetivos políticos.

B) o eleitor não podia eleger o presidente da República.

C) o coronel aprimorou o processo democrático ao instituir o voto secreto.

D) o eleitor era soberano em sua relação com o coronel.

E) os coronéis tinham influência maior nos centros urbanos.

Questão 04 

A Revolução Cubana veio demonstrar que os negros estão muito mais preparados do que se pode supor para ascender socialmente. Com efeito, alguns anos de escolaridade francamente aberta e de estímulo à autossuperação aumentaram, rapidamente, o contingente de negros que alçaram aos postos mais altos do governo, da sociedade e da cultura cubana. Simultaneamente, toda a parcela negra da população, liberada da discriminação e do racismo, confraternizou com os outros componentes da sociedade, aprofundando o grau de solidariedade.
Tudo isso demonstra, claramente, que a democracia racial é possível, mas só é praticável conjuntamente com a democracia social. Ou bem há democracia para todos, ou não há democracia para ninguém, porque à opressão do
negro condenado à dignidade de lutador da liberdade corresponde o opróbrio do branco posto no papel de opressor dentro de sua própria sociedade.
(RIBEIRO, D. O povo brasileiro: A formação e o sentido. São Paulo: companhia das Letras, 1999)

Segundo Darcy Ribeiro, a ascensão social dos negros cubanos, resultado de uma educação inclusiva, com estímulos à autossuperação, demonstra que:

A) a democracia racial está desvinculada da democracia social.

B) o acesso ao ensino pode ser entendido como um fator de pouca importância na estruturação
de uma sociedade.

C) a questão racial mostra-se irrelevante no caso das políticas educacionais do governo cubano.

D) as políticas educacionais da Revolução Cubana adotaram uma perspectiva racial antidiscriminatória.

E) os quadros governamentais em Cuba estiveram fechados aos processos de inclusão social da população negra.

Questão 05

Desgraçado progresso que escamoteia as tradições saudáveis e repousantes. O ‘café’ de antigamente era uma pausa revigorante na alucinação da vida cotidiana. Alguém dirá que nem tudo era paz nos cafés de antanho, que havia muita briga e confusão neles. E daí? Não será por isso que lamento seu desaparecimento do Rio de Janeiro. Hoje, se houver desaforo, a gente o engole calado e humilhado. Já não se
pode nem brigar. Não há clima nem espaço.

(ALENCAR, E. Os cafés do Rio. Antigos cafés do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Kosmos, 1989)

O autor lamenta o desaparecimento dos antigos cafés pelo fato de estarem relacionados com:

A) a economia da República Velha, baseada essencialmente no cultivo do café.

B) o ócio (“pausa revigorante”) associado ao escravismo que mantinha a lavoura cafeeira.

C) a especulação imobiliária, que diminuiu o espaço disponível para esse tipo de estabelecimento.

D) a aceleração da vida moderna, que tornou incompatíveis com o cotidiano tanto o hábito de “jogar conversa fora” quanto as brigas.

E) o aumento da violência urbana, já que as brigas, cada vez mais frequentes, levaram os cidadãos a abandonarem os cafés do Rio de Janeiro.

Questão 06 

O Marquês de Pombal, ministro do rei Dom José I, considerava os jesuítas como inimigos, também porque, no Brasil, eles catequizavam os índios em aldeamentos autônomos, empregando a assim chamada língua geral. Em 1755, Dom José I aboliu a escravidão do índio no Brasil, o que modificou os aldeamentos e enfraqueceu os jesuítas.
Em 1863, Abraham Lincoln, o presidente dos Estados Unidos, aboliu a escravidão em todas as regiões do Sul daquele país que ainda estavam militarmente rebeladas contra a União em decorrência da Guerra de Secessão. Com esse
ato, ele enfraqueceu a causa do Sul, de base agrária, favorável à manutenção da escravidão. A abolição final da escravatura ocorreu em 1865, nos Estados Unidos, e em 1888 no Brasil.

Nos dois casos de abolição de escravatura, observam-se motivações semelhantes, tais como:

A) razões estratégicas de chefes de Estado interessados em prejudicar adversários, para afirmar sua atuação política.

B) fatores culturais comuns aos jesuítas e aos rebeldes do Sul, contrários ao estabelecimento de um governo central.

C) cumprimento de promessas humanitárias de liberdade e igualdade feitas pelos citados chefes ,de Estado.

D) eliminação do uso de línguas diferentes do idioma oficial reconhecido pelo Estado.

E) resistência à influência da religião católica, comum aos jesuítas e aos rebeldes do sul.

Questão 07 

Um aspecto importante derivado da natureza histórica da cidadania é que esta se desenvolveu dentro do fenômeno, também histórico, a que se denomina Estado-nação. Nessa perspectiva, a construção da cidadania na modernidade tem a ver com a relação das pessoas com o Estado e com a nação.

(CARVALHO, J.M. Cidadania no Brasil: o longo caminho. In: Civilização Brasileira. Rio de Janeiro: 2004)

Considerando-se a reflexão acima, um exemplo relacionado a essa perspectiva de construção da cidadania é encontrado:

A) em D. Pedro I, que concedeu amplos direitos sociais aos trabalhadores, posteriormente ampliados por Getúlio Vargas com a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

B) na Independência, que abriu caminho para a democracia e a liberdade, ampliando o direito político de votar aos cidadãos brasileiros, inclusive às mulheres.

C) no fato de os direitos civis terem sido prejudicados pela Constituição de 1988, que desprezou os grandes avanços que, nessa área, havia estabelecido a Constituição anterior.

D) no Código de Defesa do Consumidor, ao pretender reforçar uma tendência que se anunciava na área dos direitos civis desde a primeira constituição republicana.

E) na Constituição de 1988, que, pela primeira vez na história do país, definiu o racismo como crime inafiançável e imprescritível, alargando o alcance dos direitos civis.

Questão 08 

A Confederação do Equador contou com a participação de diversos segmentos sociais, incluindo os proprietários rurais que, em grande parte, haviam apoiado o movimento de independência e a ascensão de D. Pedro I ao trono. A
necessidade de lutar contra o poder central fez com que a aristocracia rural mobilizasse as camadas populares, que passaram então a questionar não apenas o autoritarismo do poder central, mas o da própria aristocracia da província. Os líderes mais democráticos defendiam a extinção do tráfico negreiro e mais igualdade social. Essas ideias assustaram os grandes proprietários de terras que, temendo uma revolução popular, decidiram se afastar do movimento. Abandonado pelas elites, o movimento enfraqueceu e não conseguiu resistir à violenta pressão organizada pelo governo imperial.

(FAUSTO, B. História do Brasil São Paulo: EDUSP, 1996 – adaptado)

Com base no texto, é possível concluir que a composição da Confederação do Equador envolveu, a princípio,

A) os escravos e os latifundiários descontentes com o poder centralizado.

B) diversas camadas, incluindo os grandes latifundiários, na luta contra a centralização política.

C) as camadas mais baixas da área rural, mobilizadas pela aristocracia, que tencionava subjugar o Rio de Janeiro.

D) as camadas mais baixas da população, incluindo os escravos, que desejavam o fim da hegemonia do Rio deJaneiro.

E) as camadas populares, mobilizadas pela aristocracia rural, cujos objetivos incluíam a ascensão de D. Pedro I ao trono.

Questão 09 

Distantes uma da outra quase 100 anos, as duas telas seguintes, que integram o patrimônio cultural brasileiro, valorizam a cena da primeira missa no Brasil, relatada na carta de Pero Vaz de Caminha. Enquanto a primeira retrata fielmente a carta, a segunda — ao excluir a natureza e os índios — critica a narrativa do escrivão da frota de Cabral. Além disso, na segunda, não se vê a cruz fincada no altar.

Ao comparar os quadros e levando-se em consideração a explicação dada, observa-se que:

A) A influência da religião católica na catequização do povo nativo é objeto das duas telas.

B) A ausência dos índios na segunda tela significa que Portinari quis enaltecer o feito dos portugueses.

C) Ambas, apesar de diferentes, retratam um mesmo momento e apresentam uma mesma visão do fato histórico.

D) A segunda tela, ao diminuir o destaque da cruz, nega a importância da religião no processo dos descobrimentos.

E) A tela de Victor Meirelles contribuiu para uma visão romantizada dos primeiros dias dos portugueses no Brasil.

Questão 10 

Houve momentos de profunda crise na história mundial contemporânea que representaram,
para o Brasil, oportunidades de transformação no campo econômico. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a quebra da Bolsa de Nova Iorque (1929), por exemplo, levaram o Brasil a modificar suas estratégias produtivas e a contornar as dificuldades de importação de produtos que demandava dos países industrializados. Nas três primeiras décadas do século XX, o Brasil:

A) impediu a entrada de capital estrangeiro, de modo a garantir a primazia da indústria nacional.

B) priorizou o ensino técnico, no intuito de qualificar a mão de obra nacional direcionada à indústria.

C) experimentou grandes transformações tecnológicas na indústria e mudanças compatíveis na legislação trabalhista.

D) aproveitou a conjuntura de crise para fomentar a industrialização pelo país, diminuindo as desigualdades regionais.

E) direcionou parte do capital gerado pela cafeicultura para a industrialização, aproveitando a recessão europeia e norte-americana.

 

 

 

 

GABARITO:

1 – E
2 – D
3 – A
4  – D
5 – D
6 – A
7 – E
8 – B
9 – E
10 – E

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